Peregrinando por diversas religiões percebi que não é a religião que faz a pessoa, mas a pessoa é quem faz sua religião, construindo seus valores e seu caráter visando obedecer (ou não) aos preceitos e leis da religião que escolheu.
Pessoas que seguem uma determinada religião mas que não seguem seus preceitos enganam a quem está próximo e a si mesmos, mas a Deus jamais conseguirão enganar.
Eu tinha uma amiga cuja família era de uma igreja evangélica muito rigorosa, ela não podia cortar o cabelo, usar pintura, raspar as pernas, isso sem falar no resto que é claro que não podia mesmo. Criada dentro da religião, sempre que havia culto lá ia ela com toda a família para a igreja e tudo para ela "era pecado". Seu pai era seguidor fervoroso e muito rigoroso com os filhos e principalmente com as filhas. Mas apesar disso tomava sua cervejinha escondido na cozinha e fumava dentro do galinheiro que havia no quintal. Na certa ali Deus não estava vendo.
Quando a filha mais velha estava com 18 anos arrumou-lhe um noivo da igreja, claro, e esse era ainda mais fervoroso que o pai da garota, ainda por cima era pastor. Mais de uma vez em que ele foi à minha casa com minha amiga tivemos que aturá-lo de bíblia em punho, postado em frente à nossa pobre TV, vociferando que aquela máquina era coisa do diabo e que traria o mal para dentro de nossas casas.
O noivado foi curto, conforme os preceitos da igreja - para que não caíssem em tentação antes do casamento. Mas ele com certeza jamais cairia em tentação, afinal era um homem de Deus. Algumas semanas antes do casamento minha amiga conheceu um rapaz dentro da mesma igreja e com ele conheceu as delícias do sexo, tanto que nem queria mais se casar. Mas acabou casando. Oito meses depois nasceu a primeira filha, que não se parecia em nada com o marido dela.
Em sua casa jamais entrou uma TV e no aparelho de som só rodaram discos de hinos em louvor a Deus. A vida seguiu tranquila até que a segunda filha da família se casou. Casou mas não conseguia deixar o marido tocá-la sequer, tinha pavor a ele. Foi encaminhada para o pastor, que a muito custo conseguiu arrancar dela uma história contundente: o cunhado, tão pio e religioso pastor, em duas ocasiões em que fora à casa do pai da noiva visitá-la e lá encontrando apenas a cunhadinha (então com 11 ou 12 anos), a tinha estuprado e jurado que se contasse a alguém iria desmentí-la, ninguém acreditaria nela e ela seria expulsa de casa e da igreja.
Por mais de 10 anos ela guardou consigo essa história, sem poder dividir com ninguém, de dois noivos conseguiu desvencilhar-se porque tinha pavor aos homens, talvez acreditando que a forçariam a fazer as mesmas coisas e da mesma forma violenta que o cunhado a obrigara. Mas do terceiro não conseguiu se livrar, e assim a história apareceu.
Não quero com isso provar nada, nem pregar contra essa ou aquela religião. Apenas quero mostrar que a religião é importante na vida das pessoas desde que elas realmente a sigam, que sejam sinceras e verdadeiras em suas crenças. Para tanto todas nos levam ao encontro de Deus. Mas quem só a segue pela metade, além de não ajudar em nada a si mesmo para encontrar o Salvador, também contribui para denegrir a fé de tantos outros que seguem sua religião ao pé da letra, acreditanto em seus preceitos e vivendo dentro do que se propõe a seguir.

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